Andei
observando o ipê. O ipê é imponente, vai crescendo a cada tempo e podem ficar extremamente
grande. O ipê é uma forte sombra nos demais dias do ano. Sua folhagem
robusta acolhe e encanta por sua
grandeza. Ele sabe ser altivo sem jamais diminuir o que está a sua volta, assim
é o ipê no meio das demais plantas. Chama para sua sombra, mas também leva aos
demais que ali estão guardados sobre sua copa grandiosa.
E
quando vem a secura ele não se empobrece; o ipê não seca sua beleza! As folhas
caem pouco a pouco... são as adversidades do tempo. São coisas próprias do
tempo do ipê! Faz parte da sua história, faz parte do seu ciclo vital perder!
Coisas passageiras, que o ipê sabe que faz parte do seu caminho. O ipê se
desnuda na seca, ele vai perdendo a folhagem, ficando sem nada, se não o caule
que lhe protege. E depois das secas, das perdas e das saudades que o ipê
avigora na sua vida, ele se enriquece e se orna de flores. Flores que encantam
o olhar. O ipê se coroa de flores.
Na
secura de uma vida toda, pessoas boas são como ipês! Tem seus tempos de
folhagem, seus tempos de seca, mas também tem seus tempos de flores. Elas
perdem um pouco no caminho. Vão se desnudando nos sofrimentos, nas
contrariedades, e já sabem que elas fazem parte da vida, do ciclo do seu
crescimento, daquela dita maturidade que o tempo mesmo constrói. Pessoas boas,
assim como o ipê, trazem maravilhas aos olhos. Pouca coisa e elas já nos
cativam. Pessoas de alma boa trazem todos para si, mesmo que suas flores não
tenham brotado, só por serem boas, todos querem consolar seu momento de aridez.
E como o ipê, elas florescem vigorosas e vicejantes nos tempos imos da sua
seca.
O
Ipê quanto mais seco é o clima, mais florido está. O ipê floresce na seca para
lembrar que nada na vida é desprovido de beleza. Que mesmo o seco da vida é
lida dura de um trabalho escondido, o silencioso trabalho do coração que confia
quando aparece as intempéries da vida, o sofrimento é casa da fortaleza. O
sofrimento é uma semente das nossas vitórias. Sofrer agora, para no final
florir. O ipê já descobriu isso! Já sabe dar flores na seca! Já embeleza os
nossos tempos de seca. Ipê como almas boas, já deixam que a flor daquela dor
venha embelezar os olhos e o coração no tempo certo da sua florida.
E
quando suas flores caem?
Suas
flores não caem para morrer, como tantos pensam, ao contrário elas florescem
para o consolo dos olhos, para o encanto das vidas secas que observam inertes
aquele fenômeno desconcertante! E quando já cumprem sua sina, forram o chão
para que outros venham descansar no seu limiar. Sentar nas suas floridas...
Eu
descobri que sou ipê, porque não me canso de florescer, quando todos já estão
secos de amar. Eu descobri que não importa quanto seca seja nossa vida, a dor
ou o “amor” que os outros nos prometeram dar. Eu tenho que ser ipê para
florescer na seca dos outros.
Diác.
Raifran Sousa

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