segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A "revolução" do idiota


Houve um tempo em que ser idiota era um fato grotesco e dado ao ridículo. Um tempo em que os idiotas faziam jus legítimo de sua condição, e não se davam ao trabalho de atestar isso, sua fala e seus trejeitos eram o maior dado de sua situação. Nem sempre os idiotas eram, como no senso comum, alguém em quem faltava cultura. E aí temos um fato curioso dos idiotas: eles conseguem saber um pouco das coisas, mas não conseguem deixar sua condição rasa das realidades, e nesse fato reside o maior problema de todo idiota, ele é um antirrealista, alguém dado a um sono constante das coisas reais. Um drogado da pior droga que um homem pode fazer uso, a falta de concretude de vida. A falta de ver as coisas na sua profundidade, no seu íntimo, o idiota é sempre dado ao raso.

Hoje é difícil não conviver com os idiotas. Eles conseguiram na destreza de sua condição, fazer uma verdadeira revolução, a única coisa que os idiotas conseguiram fazer de grande foi a percepção de que eles eram mais numerosos do que os homens dotados do realismo. Chego a mentir tendo em vista que em outra coisa os idiotas conseguem ser grandes: o seu número! O tempo hodierno é tratado por uma reviravolta única dos idiotas, eles conseguiram submeter a sua condição os lúcidos, os esclarecidos, ao passo que ser idiota hoje é uma honra. Ser idiota é quase uma “necessidade” dos dias de hoje, e quando você não é um deles passa por maus bocados. Os idiotas são intolerantes o suficiente para não suportar a realidade, os fatos e as situações da vida.

Na vida você tem que se afastar dos idiotas. O mundo está cheio deles. Cheio de doutores em idiotice, senhores e senhoras dotados de uma doença na carne. Não diria que são idiotas inúteis, levando em consideração que hoje em dia basta dizer idiota e você já vai saber que não tem utilidade alguma, evitemos então o pleonasmo.

O idiota tem uma capacidade, uma "virtú": serem bons no discurso retórico e terem assim muitos seguidores. Os idiotas são assim idolatrados, queridos com medida além daquilo que merecem. E como se conhece um idiota!? Se sabe por sua falta de senso com o real, seu caráter exagerado nas coisas humanas, e até nas que não são, eles conseguem ser idiotas! Os idiotas são homens dotados de um irrealismo, de não ter os pés no chão. Se arrogam uma capacidade de ver o futuro de modo distinto de todos os outros, mas na verdade não enxergam um palmo a frente do nariz. São doutores em defesa de uma gama infindável de bandeira e situações, mas em todas são mais idiotas do que podem crer. O idiota é alguém que apoia muitas causas, mas nenhuma suficientemente grande para a realidade, ou para com a verdade. O idiota tem imã para mentiras e desonestidades intelectuais. Ele usa tudo a seu favor na intenção única de provar suas teses e teorias, mas não consegue ir muito longe por falta de material descente e real. O idiota tem a capacidade de permanecer firme em suas ideias, ele não é alguém que muda facilmente de pensamento, e ainda que morra não aceita que está errado. O idiota é alguém que pensa em tudo, tudo aquilo que ele tem na cabeça, entretanto não pensa fora dela. Ele respeita a opinião. DELE E DE QUEM PENSA COMO ELE!

O mundo tem tantos idiotas, quanto uma colmeia tem de abelhas. O mel dos idiotas é fazer outros idiotas por meio de sua intelectualidade vazia de concretude. Todo idiota consegue ser um pseudo-intelectual, e cheio de uma desonestidade intelectual. A “doçura” do seu discurso, da facilidade com que ele atesta o irreal faz com que outros idiotas se juntem a ele. E ali ele tem o fel que amarga e inebria seus adeptos. O idiota tem essa capacidade de incendiar corações com discursos grandiosos sobre coisas vazias. Eles enchem nada, com nada e os outros idiotas veem tudo, criam coisas fantásticas em lugar algum. É como ver unicórnios num bar, cachorros fazendo construções e pescadores com histórias verídicas ou países socialistas que deram certo.

O que mais falta no idiota é aquela capacidade humana chamada de coerência de pensamento. Os idiotas são tão pueris em suas maquiavélicas deduções, que ultrapassam o termo estória em qualquer sentido possível. Ao passo que o idiota tem um caráter pessoal de ser capaz de criar "teorias" de coisas corriqueiras, e até logicamente factuais, ou seja, coisas que qualquer "idiota" seria capaz de perceber, mas nossa classe aqui citada de idiotas não consegue, contudo apenas estendem em discursos cheios de sonhos, de ópio e loucura. Você percebe um idiota quando ele não consegue dizer nada por si mesmo, mas diz sempre em nome de um todo, de uns muitos, uma certa coletividade que está dentro de si, um grupelho que ele atesta ter (e existe do mesmo modo que um país socialista que deu certo), que ele acredita existir, mas tal como os cavalos que voam e fadas dos contos, estão apenas no mundo dele.

Eu admiro os idiotas por sua capacidade de perceber coisas que dariam ótimos livros, e que seriam best-sellers da literatura de contos, na classe daqueles livros de elfos, bruxas e afins. O idiota é alguém dotado de uma condição muito grave e acentuada nos dias atuais, ele consegue com pouco fazer muito estrago nas mentes. Ele arrebanha para si um séquito de fieis idiotas, que acreditam e corroboram suas visões. O fato antes dito é afirmado pelo numeroso campo de livros escritos por idiotas. O mundo venera o idiota e o idiota acredita que o mundo é necessitado de suas palavras.

Nenhum comentário:

Postar um comentário