quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O que aprendi com o ipê.

Andei observando o ipê. O ipê é imponente, vai crescendo a cada tempo e podem ficar extremamente grande. O ipê é uma forte sombra nos demais dias do ano. Sua folhagem robusta  acolhe e encanta por sua grandeza. Ele sabe ser altivo sem jamais diminuir o que está a sua volta, assim é o ipê no meio das demais plantas. Chama para sua sombra, mas também leva aos demais que ali estão guardados sobre sua copa grandiosa.
E quando vem a secura ele não se empobrece; o ipê não seca sua beleza! As folhas caem pouco a pouco... são as adversidades do tempo. São coisas próprias do tempo do ipê! Faz parte da sua história, faz parte do seu ciclo vital perder! Coisas passageiras, que o ipê sabe que faz parte do seu caminho. O ipê se desnuda na seca, ele vai perdendo a folhagem, ficando sem nada, se não o caule que lhe protege. E depois das secas, das perdas e das saudades que o ipê avigora na sua vida, ele se enriquece e se orna de flores. Flores que encantam o olhar. O ipê se coroa de flores.

Na secura de uma vida toda, pessoas boas são como ipês! Tem seus tempos de folhagem, seus tempos de seca, mas também tem seus tempos de flores. Elas perdem um pouco no caminho. Vão se desnudando nos sofrimentos, nas contrariedades, e já sabem que elas fazem parte da vida, do ciclo do seu crescimento, daquela dita maturidade que o tempo mesmo constrói. Pessoas boas, assim como o ipê, trazem maravilhas aos olhos. Pouca coisa e elas já nos cativam. Pessoas de alma boa trazem todos para si, mesmo que suas flores não tenham brotado, só por serem boas, todos querem consolar seu momento de aridez. E como o ipê, elas florescem vigorosas e vicejantes nos tempos imos da sua seca.
O Ipê quanto mais seco é o clima, mais florido está. O ipê floresce na seca para lembrar que nada na vida é desprovido de beleza. Que mesmo o seco da vida é lida dura de um trabalho escondido, o silencioso trabalho do coração que confia quando aparece as intempéries da vida, o sofrimento é casa da fortaleza. O sofrimento é uma semente das nossas vitórias. Sofrer agora, para no final florir. O ipê já descobriu isso! Já sabe dar flores na seca! Já embeleza os nossos tempos de seca. Ipê como almas boas, já deixam que a flor daquela dor venha embelezar os olhos e o coração no tempo certo da sua florida.

E quando suas flores caem?
Suas flores não caem para morrer, como tantos pensam, ao contrário elas florescem para o consolo dos olhos, para o encanto das vidas secas que observam inertes aquele fenômeno desconcertante! E quando já cumprem sua sina, forram o chão para que outros venham descansar no seu limiar. Sentar nas suas floridas...
Eu descobri que sou ipê, porque não me canso de florescer, quando todos já estão secos de amar. Eu descobri que não importa quanto seca seja nossa vida, a dor ou o “amor” que os outros nos prometeram dar. Eu tenho que ser ipê para florescer na seca dos outros.

Diác. Raifran Sousa

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Minha mãe não deixa!

Pedro sempre foi um jovem muito alegre e vivaz. Trazia no coração bons propósitos e desejos que superassem as amarras insidiosas do mal.
Pedro sempre teve muitos amigos, natural para pessoas como ele! Pessoas boas sempre arranjam muitos amigos.
O mal sempre arranja um jeito de nos alcançar, com Pedro não era diferente. Ele tinha sim alguns amigos meio “tortos” que sempre buscavam tirar sua atenção das coisas boas, desviar seus passos do bom caminho. Os amigos de Pedro por vezes lhe faziam algumas propostas ruim, e até indecentes. Pedro, no entanto, sempre tinha uma resposta: “Minha mãe não deixa!”. Bastava os amigos virem com uma proposta maldosa e ele soltava: “Minha mãe não deixa!”
- Pedro, vamos roubar aquelas mangas do vizinho? Ninguém vai saber.
- Não posso! Minha Mãe não deixa! ”
- Pedro vamos jogar tinta no portão do vizinho? Ele pintou hoje! Lembra quando ele pegou nossa bola e rasgou ele porque havia caído no seu quintal? Vamos nos vingar!
- De jeito nenhum! Você está louco! Minha mãe não deixa!
E sempre Pedro tinha na ponta dos lábios a mesma resposta.
Os amigos diziam: “Credo essa mãe do Pedro vive proibindo ele! ” “Cara essa mãe do Pedro deve ser muito rigorosa! Credo!
No seu aniversário de 16 anos Pedro resolveu convidas seus amigos para um almoço em sua casa. Eles nunca tinham entrada lá. Essa seria a primeira vez. O primeiro pensamento que veio na cabeça dos jovens foi:
- Hoje finalmente vamos conhecer a mãe do Pedro.
Chegaram, entraram e logo foram olhando tudo e procurando a mãe do Pedro. Viram uma mulher em alguns retratos pela sala e logo pensaram: “Ah! Essa é a mãe dele!”
Passou algum tempo, o almoço foi sendo servido, mas nada da mãe de Pedro aparecer. Na casa eles apenas viam o pai e o avô de Pedro. Em dado momento Pedro subiu as escadas e foi ao quarto buscar algo. Os jovens logo perguntaram para o pai:
- Onde está a mãe do Pedro! Até agora não vimos ela! E toda vez ele fala dela!
O pai olhou assustado e disse:
- Mãe? Que mãe rapazes? A mãe do Pedro faleceu poucos meses depois de ter ele!
Os rapazes ficaram inconformados com aquilo!
- Ele mentiu para nós! Ele nos enganou este tempo todo. Esse Pedro é um falso!
 Pedro entrou na sala no mesmo instante. Os jovens disparam contra ele um tanto de palavras. Chamaram ele de mentiroso, de medroso... Que ele inventou uma mãe que não tinha.
O pai deu um sorriso discreto para o filho. Pedro do mesmo modo sorriu para os amigos e apontou para uma imagem de Nossa Senhora das Graças que tinha num bonito e ornado altar de sua sala de jantar, e disse:
- Claro que não menti! Eis aqui minha mãe! Eu tenho duas mães! Duas mães no céu. E uma delas me acompanha o tempo todo, onde quer que eu vá! Acaso não sabeis que eu sou da Imaculada?! Como posso fazer coisas erradas sabendo que minha Mãe vê todos os meus passos e por eles vela! Certamente vocês não fariam nada de errado se vossas mães estivessem vendo. Assim eu também não faço sabendo que tão boa Mãe olha o tempo todo por mim!
Santa Teresinha disse que “o olhar de Maria me curou, ela é mais Mãe do que Rainha!”. Pedro descobriu o olhar de Maria, que fitava seus passos, como uma mãe cuida do filho, e ele é filho de Maria. Ser filho de Maria não é repetir frases prontas, ou somente trazer sinais externos dessa pertença! Esses são importantes sem dúvidas, mas não somente isso! Ser filho de Maria é trazer uma consciência de filho, que por tanto amar Maria é capaz de ordenar todos os seus atos e ações na conformação da vida de Maria. É trazer gravado no coração os sinais dessa pertença. Pedro descobriu que tem uma mãe no céu e que deve trabalhar o tempo todo para alcançar com virtude o encontro com ela.

Devemos sempre recordar que tempos uma Mãe no céu, que vela e olha por nós! Isso nos ajudará muitas vezes a fugir do pecado e das coisas más.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Do Amor do Homem para uma mulher

            *Texto baseado em diálogos, convivência e experiências com casais.


         Homem e mulher se completam de tal maneira que ao meu ver nada existe de mais perfeito, naquilo que tange ao humano, do que esse encontro. Haja visto que aqueles homens que escolheram por vocação a vida matrimonial devem buscar ser os mais nobres e os mais dignos para uma mulher. A nobreza de um homem não pode ser totalmente atestada até que ele encontre uma mulher e que seja para ela um homem de verdade. Notavelmente a maturidade de um homem é provada quando ele vive não somente ser para si, mas descobre que nesta vocação ele é alguém absolutamente para outro. Não um outro para si indiferente, mas que lhe apetece de tal modo que ele chegue aquela conclusão, que todo homem tem quando encontra uma mulher que quer partilha para sempre sua vida: Que ser dela, e dela sendo não será de mais ninguém. O homem quando encontra uma mulher sabe com o tempo que toda mulher pode ser grande demais para ele, que elas trazem no coração e na alma a grandeza de quem sempre estará acima. E isso não é algo pequeno, mas sobremaneiramente acima daquilo que ele próprio é.
    O homem quando encontra uma mulher sabe que ela é mais que uma mulher, mas ele singulariza ela de tal modo que os olhos, os sentimentos e até o tempo que lhe cabem são para elas voltados e assim ela torna-se aquilo para qual converge todos os seus horizontes.  E não somente uma simples mulher, mas a mulher que lhe apraz no termo que diga: “Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! ” Gen 2,23, e que este desejo que ela seja carne da sua carne não esteja reduzido ao meramente carnal, no entanto seja expressão daquilo que todo homem deve buscar em uma mulher por primeiro: seu coração.
Parece utópico o que falo, mas não é tendo em vista tantos casais que conheço e que descobriram essa grande verdade. E minha tristeza é descobrir que poucos a descobrem. São tão poucos que entra em descrédito essas palavras, mas os que vivem isso sabem da grandeza destas. Talvez isso aconteça devido à falta de homens e mulheres que tenham a nobreza que toda união precise. Aquela nobreza que nos tempos idos havia. De que um homem fosse homem, e que uma mulher fosse mulher no sentido de uma maturidade e vivaz vontade de viver para alguém, não somente com palavras vazias, mas naquele desejo de viver o que diz. Palavras são apenas palavras se não estão alicerçadas naquelas práxis que tornam um homem e uma mulher legítimos na sua forma de viver. O que existe de mais admirável em um homem e uma mulher é que eles sejam verdadeiros, e tenham para si e também paras os outros, aquela fidelidade que de tão rara compara-se a um elo perdido, entretanto jamais impossível. E assim defino um homem e uma mulher de verdade! Ao passo que homens e mulheres de verdade são entes em falta.
Eu sempre penso na relação de um homem e uma mulher como um camponês que encontrou uma Rainha. Um homem para conquistar uma mulher deve ter a nobreza de um camponês que encontra uma Rainha! Aquela reverência e aquele respeito que são próprios de alguém que encontra grandeza além da sua. E mulheres de verdade são assim, são altas demais para baixos homens. Tanto é que mulheres de verdade não são para homens de mentira. Fato é que não dura muito um homem falso ao lado de uma mulher de verdade, e assim vice e versa. E não se engane! Mulheres de verdade sabem distinguir homens de verdade de moleques! O homem deve encontrar uma mulher como um cavaleiro que vai entrar num castelo, ao passo que se não possui tal nobreza, melhor seria não procurar o seu coração. São João Bosco dizia que “não peça a Deus uma mulheraté que tu proves que és um homem."
Um homem sozinho é apenas mais um homem, como tantos outros homens. Um homem com uma mulher é mais que um homem, é o que de mais extraordinário existe, e aquilo pode existir de mais elevado é um homem de verdade com uma mulher de verdade. Um homem e uma mulher são completude perfeita. O encaixe mais real e verdadeiro que possa ser percebido. Um homem é apenas um homem! Um homem com uma mulher é um nobre, um plebeu que achou uma Rainha, porque de todos os tesouros que existe, nada pode se comparar a uma Mulher. Duas coisas mudam o coração de um homem: Deus, quando ele se deixa encontrar. Uma mulher quando o encontra! Ao passo que inúmeros são os exemplos daqueles homens que foram achados por um Rainha, e das campinas da sua vida plebeia foram elevados ao trono do coração de uma mulher. Ao passo que ela lhe concede um novo significado para as coisas, para si mesmo. O amor é assim apenas uma palavra até que alguém lhe dê um significado.
Em tempos em que “homens” se gabam de “pegar muitas”, e aqui abro até um parêntese: pegar? Que coisificação! Tratar o outro como um objeto... Enfim, em tempos como estes, não tenho grandes elogios a estes homens que consideram um prêmio “ficar” com muitas mulheres, mas considero digno de grandes auspícios aquele homem que no labor do tempo e na grandeza que é própria de um homem de verdade, lançou a cabo aquela grande e admirável aventura, de em meio a paciência e verdade, encontrar o coração de uma mulher. A grandeza de um homem nunca será medida por “ficar com muitas mulheres”, mas por ter uma só que lhe seja mais que uma mulher, no entanto seja a única capaz de lhe fazer verdadeiramente um homem.