A veste negra que cobre o corpo é a mortalha escura do homem morto. Vestiu-se de negra capa para cobrir-se de santidade. Nas fibras brunas daquele manto decidiu guardar sua vida das vaidades fúteis que revestem o mundo. E ainda que transmitam escura cor é como luz sua presença. Decidiu vestir-se assim parar gritar no silêncio de quem olha os sinais firmes de sua decisão. Para unir seu coração ao sinal externo da sua escolha. Não mais vestir-se nos gostos deste mundo, porque já aqui deseja transmitir o que será no céu seu ser: guardado para Cristo.
Ele não usa batina porque é melhor. Não usa porque é mais santo. Ele usa para buscar santidade. Para dizer aos outros: “Aqui tem um homem que na sua humanidade busca ser de Deus! Aqui tem um homem que quer ser Deus!”, logo não significa que quem não usa não seja santo, ou não busque Deus, mas este foi o jeito que ele encontrou de viver sua busca. Ao passo que sua batina não é glória, não é um status e tão pouco um afastamento dos outros homens completamente, mas um sinal de proximidade, o signo para que outros dele se acheguem e sintam por um instante que seja: Deus está conosco! Quem não veste a batina com este sentido está fora do verdadeiro sentido desta veste.
A batina é morte. E vai matando aos poucos em nós o que somos, para que aos poucos Cristo viva em nós!
Vestiu-se de morte este homem. De penumbra cor guardou seu corpo, não para honra de seu nome, mas para glória daquele pelo qual quis estar revestido. Cobriu-se de escura manta não só aos olhos humanos, contudo também seu coração foi revestido de outra veste superior, que é como complemento desta. Vestiu seu coração de caridade, de fé e esperança, que são o sentido daquela primeira. Vestiu-se de morte este homem para dar vida, para levar vida. Sua veste negra é o sinal de que ele irá e não se cansará. Decidiu unir estritamente os sentidos dessa, com os sinais da vida. Só assim toma sentido o vestir-se desse sinal de pertença.
Vestiu-se de morte este homem para dizer aos homens que é um homem já morto para suas riquezas, porque guardou no céu todo seu tesouro e só neste Bem poderá ser rico. Que paradoxal sinal: nada ter para Tudo possuir. E o homem que decide vestir-se de negra veste deve deixar as efêmeras coisas dessa terra para juntar tesouros no céu. Deve descobrir que aquela veste é o sinal do bem maior que deve possuir, de quem lhe dará tudo quanto precisa, porque Ele mesmo o basta para que possa ter tudo, porque Ele é Tudo e o todo é Dele. Vestir-se de morte é nada guardar para si, porque o que tem não é seu, mas foi recebido Daquele que tudo tem.
A Batina não deve ser vestida por modismo. A batina não é fantasia. Ela é veste feita para dizer ao mundo nossa escolha. Não se veste batina para honra-se, ou para ser autoridade, a batina diz que é serviço. A grandeza de quem a veste está contido no desejo de servir aos outros. Quem veste uma batina deve sempre ter a certeza de estar dizendo ao mundo: “Eu estou aqui para servir!”. Uma batina é como avental dos servos, o “uniforme” daqueles que querem ser para o outro.
Vestiu-se de morte este homem parar apresentar Aquele que antes dele também se revestiu de morte para dar vida. Não é ele sinal por si mesmo, entretanto é tela daquele que é a verdadeira obra. Não é ele o principal, não é por si mesmo e não será jamais, porque deixa que o sentido também daquela veste seja o protagonista de sua história. Não veste por fama, por poder, por vaidade. Vestiu-se de morte para que transmita o seu Amado. O que desposou sua alma e vestiu ele com veste nupcial mais digna, veste que diga: “És Meu!”.
Aos olhos humanos é um louco. Dizem seus opositores: “Louco”, “Coisa velha”, “Vive no passado”, “Tradicionalista demente!”. O que faz o homem já morto? Acolhe tais ditos como flores que são jogadas para seu Esposo. O sinal de que não é diferente do seu Amado, que antes dele também foi insultado por escolher viver além deste mundo. E o homem morto não mais se importuna com isso, porque não é sua morte escolha dos homens, mas daquele que antes dele, também livremente deu sua vida para que outros pudessem alcançar o Reino.

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